terça-feira, 28 de setembro de 2010

A criança interior.


Ela olhava para a chuva que lavava a janela, eu nunca a tinha visto assim. Ela nunca fora tão... madura quanto agora, pois sabia que estava prestes a desaparecer de mim. Os olhinhos tristes vagavam do vazio úmido até mim, e de mim para uma longa estrada de terra, que agora estava repleta de lama: O futuro.
A criança, a menina inocente e igênua, que ainda restava em mim sabia que tinha que ir embora, mas não queria, nem eu queria que ela fosse. Mas estava na hora de deixar que o futuro tomasse conta da minha mente, de todo o meu eu, pois ele aguardava a espreita, tentando pular sobre mim, porém eu sempre o ignorava e infelizmente tinha chegado a hora de incará-lo.
A menina olhou mais uma vez para mim e, com um sorriso fraco, se foi na chuva até a estrada lamacenta, onde a vi desaparecer.  

3 comentários:

Wallace Santos disse...

Divisão entre momentos...

a vida tem dessas coisas

Camila Agulhari disse...

Me emocionei =(

gypsy disse...

Eu acho que horas como essa sempre existem, mas a verdade é que se você deixar toda a criança que há em nós ir, não haverá jeito de evitar que viremos uma daquelas pessoas que não se surpreendem com nada e ficam só esperando o fim do dia chegar, só pra começar outro novo.
Mas se a criança ficar, haverá aquela surpresa ao encarar um arco-íris ou um cachorrinho peludo demais. E é assim que se acha a felicidade, não é?
è a gi cute do nyah/ ghiaa do msn falando aqui.