sábado, 14 de julho de 2012

Nada no mundo poderá destruí-la



Ela era uma confusão, uma mistura estranha, mas estranhamente forte. Não é como se não tivesse motivos para fraquejar, ela só não se permitia a isso, não deixava transparecer que havia momentos que simplesmente desabava, porque ela sempre - por mais que estivesse em pedaços - sorria e dizia que estava bem, e permanecia assim, forte e inabalável (ou quase).
É teimosa, revoltada, desobediente. Não gosta de ouvir e abaixar a cabeça, não gosta de prisões. É indomável, enfurecida e sedenta por mais liberdade, dignidade, justiça, valores. É corajosa, enfrenta quem tiver que enfrentar, mas às vezes se acovarda, se inibe para não magoar quem ela ama. Talvez isso seja uma qualidade - ou sua perdição: Ela luta, briga, chora, se doa, por quem ama. 
O seu maior medo é que tudo o que ela passe, tudo o que a vida joga nela, e o modo como ela tenta lidar, mate o caráter, mate a doçura e a inocência que ela teima em conservar em seu íntimo. Ela ainda tem esperança no ser humano, ainda acredita no melhor da humanidade e luta por isso, embora isso a machuque e a maltrate, ela simplesmente não cruza os braços e assiste tudo ruir. Faz parte da natureza dela lutar até o último minuto. 
Às vezes ela se perde, depois se acha de novo, faz malabarismo com as coisas que acontecem de bom ou de ruim, dança nas tempestades da vida e procura o pote de ouro no fim do arco-íris, e sempre ao se encarar no espelho, ao olhar nos olhos castanhos brilhantes, ela se reconhece, vê que sua essência está preservada, e que nada no mundo poderá destruí-la, destruir sua alma. 

Um comentário:

Bia Campelo disse...

Admirável a descrição dessa menina.:) Com o tempo aprendemos que nem tudo na vida são flores, as vezes devemos parar e descer do nosso mundinho cor de rosa, e encarar as dificuldades de frente.